"Quando tanto se fala, como hoje em dia, em educação ambiental é porque há um reconhecimento da sociedade de que existem alguns problemas com o meio ambiente, ou melhor, na relação ser humano-natureza. Tradicionalmente a educação é chamada para solucionar os problemas sociais, como sendo a grande redentora da sociedade. Se o problema é com a sexualidade, cria-se a educação sexual; se é com o trânsito, educação para o trânsito; se é com o meio ambiente, educação ambiental, e por aí vai. Mas de que educação, de um modo geral, e em particular ambiental, estamos falando?
"Partindo do reconhecimento de que há hoje uma crise ambiental, decorrente de um processo histórico que colocou a sociedade humana e a natureza em lados opostos, peço para pensarmos na caminhada da humanidade e identificarmos, em paralelo a essa caminhada, um processo de individualização da humanidade.
"Retrocedendo até aos homens das cavernas, pode-se perceber a postura grupal submetida às forças naturais estabelecidas nas relações ecológicas. Éramos caça e caçadores perfeitamente identificados em uma cadeia alimentar. Éramos uma das partes integradas ao todo natural.
"Na outra extremidade desse processo histórico-cultural chegamos às sociedades contemporâneas, à modernidade baseada em uma visão liberal de mundo (indivíduo como célula mater da sociedade), em que a individualização chega ao extremo do individualismo, do egoísmo, do cada um por si.
"Nesse contexto, os seres humanos sentem-se cada vez mais partes isoladas do todo e rompem, entre outros, o elo de ligação com a natureza. Do sentimento de não pertencimento à natureza para o de dominação e exploração foi um pequeno passo das sociedades humanas.
"O que prevalece hoje são os interesses individuais/particulares sobre as necessidades comuns, coletivas, do conjunto. Essa prevalência justifica-se por essa postura individualista e antropocêntrica - quando a humanidade se vê como o centro e tudo que está ao seu redor existe para atender aos seus interesses. Essas posturas, somadas à competição exacerbada entre indivíduos, classes sociais e nações, à acumulação privada de um bem público que é o meio ambiente e à concentração da riqueza, entre outras, intensificou tremendamente a exploração do meio ambiente e o distanciamento entre os seres humanos dessa sociedade urbano-industrial e a natureza, o que produz a degradação de ambos.
"Meio ambiente é conjunto, é sistêmico, precisa ser percebido em sua realidade complexa, na sua totalidade.
"A exploração da natureza como se fosse um recurso inesgotável, vista de forma fragmentada, sem a preocupação e o respeito com as relações de equilíbrio ecológico e sua capacidade de suporte, que seriam melhor percebidas a partir de uma visão de totalidade, resultaram nos graves problemas ambientais da atualidade.
"É aqui que a educação ambiental vem sendo chamada para "resolver" os problemas da nossa sociedade urbano-industrial. Mas qual a "natureza" desses problemas?
"Ao nos remetermos, por exemplo, às realidades rurais, talvez possamos pensar que, pela maior presença de elementos naturais nesse meio, os problemas ambientais são aqueles distantes, como o desmatamento da Amazônia, ou os globais, como o buraco na camada de ozônio ou efeito estufa. Mas ao nos aproximarmos dessas realidades locais, percebemos que ocorrem também vários problemas socioambientais, como agrotóxico, erosão, desmatamento, contaminação das águas, concentração de terras, pobreza etc. No entanto, esses problemas localizados, mesmo em pequenas comunidades, acontecem em todo o mundo.
"Os problemas ambientais locais e globais se interrelacionam, não são aspectos isolados de cada realidade. Portanto, a "natureza" do problema está no atual modelo de sociedade, individualista, consumista, concentrador de riqueza, que gera destruição, antagônico às características de uma natureza que é coletiva, que recicla, que gera a vida.
"Esse é um dos problemas centrais em que a educação ambiental deve se debruçar: entender as estruturas dessa sociedade, a sua dinâmica intermediada pelas relações desiguais de poder, as suas motivações dinamizadas pelo privilégio aos interesses particulares. É desvelar a origem dos problemas ambientais e não apenas nos restringirmos às suas conseqüências.
"Qual proposta de educação dará conta disso? Será uma educação tradicional que acredita que o comportamento da sociedade é resultado da soma dos comportamentos de cada indivíduo? Que o professor transmite os conhecimentos corretos e que disso resultará na mudança de comportamento dos alunos, solucionando assim os problemas? Que acredita que somando esses comportamentos "corretos" teremos uma nova sociedade? Será que dessa forma superaremos os problemas ambientais? Basta transmitir o conhecimento certo aos nossos alunos que eles terão consciência ecológica?
"Essa educação tradicional é eminentemente teórica, pelo papel do professor como transmissor de conhecimentos, e é passiva, pelo aluno ser o receptor desse conhecimento. Reforça valores individualistas quando acredita que o indivíduo é que forma a sociedade, quando não valoriza as relações sociais entre esses indivíduos. É presa ao conteúdo dos livros sem contextualizar em uma realidade socioambiental, podendo, portanto, ficar restrita à sala de aula, não estimulando a interação desses indivíduos em um processo de intervenção na realidade social. É uma educação "bancária", conservadora, pouco apta a mudanças sociais, conforme denunciava o mestre Paulo Freire.
"A proposta que nos movimenta é de uma educação crítica, que compreende a sociedade como um sistema, em que cada uma de suas partes (indivíduos) influencia o todo (sociedade), mas ao mesmo tempo a sociedade, os padrões sociais, influenciam os indivíduos. Portanto, para haver mudanças significativas não bastam apenas mudanças individuais (partes), mas necessita-se também mudanças recíprocas na sociedade (todo).
"Nessa relação (dialética) entre indivíduo e sociedade é que se constrói o processo de uma educação política, que forma indivíduos como atores (sujeitos) sociais, aptos a atuarem coletivamente no processo de transformações sociais em busca de uma nova sociedade ambientalmente sustentável. Nesse processo eles se transformam também, se educam, se conscientizam. Indivíduos que se transformam atuando no processo de transformações sociais.
"Para essa educação ambiental que acreditamos crítica, os problemas ambientais não são atividades fins, conforme demonstra Layrargues (1999), em que a solução se daria por mudanças comportamentais de cada indivíduo, como normalmente se trata, por exemplo, a questão do lixo no chão. Para essa proposta crítica, os problemas ambientais são temas geradores que problematizam a realidade para compreendê-la, instrumentalizando para uma ação crítica de sujeitos em processo de conscientização. Como no exemplo anterior, seria questionar o porque essa sociedade produz tanto lixo.
"Portanto, de forma contrária à educação tradicional, essa é uma educação voltada para uma ação-reflexiva (teoria e prática - práxis), coletiva, em que seu conteúdo está para além dos livros, está na realidade socioambiental, ultrapassando os muros das escolas. É uma educação política voltada para a transformação da sociedade. Essa é, assim como nos disse Paulo Freire, uma Pedagogia da Esperança, capaz de construir o inédito viável dos que acreditam na possibilidade de um mundo melhor".
Mauro Guimarães é Doutor em Ciências Sociais (CPDA/UFRRJ), Mestre em Educação (UFF), Especialista em Ciências Ambientais (UFRRJ) e Graduado em Geografia (UFRJ).
Clique aqui para acessar o texto na íntegra.
terça-feira, 20 de maio de 2014
Ainda Há Tempo, Criolo
Se quer saber,
então vou te falar
porque as pessoas sadias adoecem,
bem alimentadas
ou não porque perecem?
Tudo está guardado na mente,
o que você quer nem sempre
condiz com o que o outro sente.
Eu tô falando é de atenção,
que dá cola ao coração,
que faz marmanjo chorar
se faltar
um simples sorriso
ou às vezes um olhar,
e que se vem da pessoa errada
não conta,
a amizade é importante
mas o amor escancara tanto,
e o que te faz feliz
também provoca a dor,
a cadência do surdo no coro que se forjou
e aliás, cá pra nós, até o mais desandado
dá um tempo na função quando percebe que é amado.
E as pessoas se olham e não se falam,
se esbarram na rua e se maltratam,
usam a desculpa de que nem Cristo agradou,
falô, você vai querer mesmo se comparar com o Senhor?
As pessoas não são más,
elas só estão perdidas,
ainda há tempo.
Não quero ver
você triste assim não
que a minha música possa
te levar amor.
Exemplo não sou, estou longe de ser,
cidadão comum com vontade de vencer.
RAP, que energia é essa?
Um dom, um carma,
uma dívida, uma prece,
e infelizmente tem
alguns que desmerecem.
É tanta coisa na cabeça,
sai fora, me esquece,
sem saúde, sem paz
o nosso povo padece.
No Grajaú, só,
num frio de dar dó,
esperando a lotação
pra ir pro evento de RAP,
lembrei de alguém
que não está mais entre a gente,
a Dona Morte vem,
carrega os manos na mó pressa,
uma estrela a mais no céu
o rimador falta na Terra.
Deus sabe sempre o que tá fazendo,
mesmo sabendo disso eu sofro,
vai vendo.
Quem tem noção das coisas
sente o peso da maldade,
a cobrança é maior,
a inteligência traz vaidade,
quem se deixou levar
fraquejou, essa é a verdade,
aprenda com os erros,
não se sinta um covarde.
Na praia Jesus me carregou no colo,
eu vi um par de pegadas,
não entendi o óbvio,
que o fardo não é maior
do que eu posso carregar.
Se a vida é um jogo então
vamos ganhar!
As pessoas não são más,
elas só estão perdidas,
ainda há tempo.
Não quero ver
você triste assim não
que a minha música possa
te levar amor.
Então me fala, fala,
pergunta que não cala.
Se o RAP é pro bem então
por que tanta gente atrapalha?
Com o poder da mente
a maldade paraliso,
o mecanismo do sistema
é sugar sua alma vivo.
Seu sangue, seu suor,
são só um detalhe nisso,
chuva ácida será bem pior
que um lançamento de um míssil.
Entre o céu e o inferno,
no Grajaú me localizo,
flutuando na hipocrisia
do lodo e do fascismo,
pronto pra rimar,
um doido criolo mestiço,
eu não sou preto,
eu não sou branco,
eu sou do RAP,
eu sou bem isso.
Quem perdeu a noção
por luxúria tá perdido,
quem perdeu a razão
por dinheiro eu nem te digo.
Saúde e microfone
são as fórmulas de que preciso,
porque se o RAP tá comigo
eu não me sinto excluído.
As pessoas não são más,
elas só estão perdidas,
ainda há tempo.
Não quero ver
você triste assim não
que a minha música possa
te levar amor.
Fonte: http://www.vagalume.com.br/criolo/ainda-ha-tempo.html#ixzz32Iqzn400
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
O Amor em Tempos de Guerra e Homofobia
Um romance em plena guerra, entre soldados. Sim, soldados homens. É emocionante o enredo, tão melancólico no final.
Leia:
“Esta é em memória do aniversário – 27 de outubro de 1943 – quando o ouvi cantar pela primeira vez no Norte da África. Esta canção traz lembranças dos momentos mais felizes que já vivi – lembranças do show de um soldado das tropas americanas – cortinas feitas com tecido de dirigível – luminárias feitas a partir de latas de chocolate – ensaios que se prolongavam até tarde da noite… e um rapaz bonito, com uma voz de tenor maravilhosa… são memórias de uma de uma noite chuvosa e dois soldados ensopados debaixo de uma árvore solitária na planície africana… Lembranças de uma noite fria e ventosa, em que nos metemos em um teatro para soldados e adormecemos em uma cobertura atrás dos bastidores, os dois, presos nos braços um do outro, e as lembranças do impacto causado ao acordar e ver que, milagrosamente, não tínhamos sido descobertos… Lembranças da felicidade de quando nos disseram que iríamos para casa e a devastação que sentimos quando soubemos que não iriamos juntos. A despedida calorosa em uma praia isolada sob o céu repleto de estrelas da noite africana e as lágrimas que não paravam de cair enquanto, no cais, eu via seu comboio ir longe no horizonte.
Nós prometemos que estaríamos juntos novamente “em casa”, mas o destino sabia mais do que nós. Nunca aconteceu. E assim, Dave, eu espero que, onde quer que você esteja, essas memórias sejam tão preciosas para você como são para mim.
Boa noite, durma bem, meu amor.
Brian Keith.”
Fonte: aqui.
terça-feira, 24 de setembro de 2013
"Draw a Stickman"
Esse é o nome de uma página na internet que é uma graça de tão simples. Basicamente é uma pequena história figurativa, de traços simples e que você desenha o protagonista, os objetos e etc. A narrativa é dada pelos desenhos e pelas frasezinhas que te levam a desenhar cada "objetivo".
É um passatempo alternativo, porém curto.
Quer dar uma olhada? Clique aqui.
É um passatempo alternativo, porém curto.
Quer dar uma olhada? Clique aqui.
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
Aparência = Personalidade?
Nesta página há um ensaio fotográfico feito pelo espanhol Nacho Rojo, tendo como modelos duas pessoas que variam com a forma se vestir.
Que fique a evidência de que a aparência, quando não engana, distorce bem como as pessoas realmente são!
Que fique a evidência de que a aparência, quando não engana, distorce bem como as pessoas realmente são!
domingo, 16 de junho de 2013
25 Lugares Tão Incríveis Que é Difícil Acreditar Que Realmente Existem
Neste link você é redimensionado para um página no qual reuniu fotografias de lugares belíssimos por natureza! Sabe o que mais me chamou atenção? Todos são de paisagens naturais - bem diferente das paisagens superficiais, que são as modificadas com a intervenção humana. Particularmente, a frase "difícil acreditar que realmente existem" me chocou e entristeceu, pois o planeta Terra possui todos os meios para ser belo e equilibrado, vívido, límpido e cheio de cor - bem diferente da selva de pedra que cerca das periferias aos centros urbanos nos dias atuais.
OBS.: lamentável que eu e você tenhamos que apreciar vistas como essas de uma tela de algum apetrecho tecnológico.
OBS.: lamentável que eu e você tenhamos que apreciar vistas como essas de uma tela de algum apetrecho tecnológico.
sábado, 15 de junho de 2013
Desumanidade
Esse é apenas um dos milhares acontecimentos envolvendo a violência contra animais, um dos poucos que recebem uma certa atenção da mídia e uma movimentação para corrigir a atitude hipócrita humana.
Somos todos parte da biodiversidade, devemos respeitar as espécies! Se a humanidade se desenvolveu racionalmente, convenhamos que isso é prova do seu péssimo uso.
Somos todos parte da biodiversidade, devemos respeitar as espécies! Se a humanidade se desenvolveu racionalmente, convenhamos que isso é prova do seu péssimo uso.
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